Tenho tanta coisa pra falar de Istambul que não sei nem por onde começar.

Istambul

Por que ir à Istambul

Antes de mais nada, como vocês já devem saber, a cidade é única…  Pra começar é a única cidade do planeta que fica em dois continentes ao mesmo tempo (Ásia e Europa). Pra continuar, ela é enorme… tipo enorme mesmo! Parece que é a quinta maior cidade do mundo e uma das mais populosas da Europa.

É uma a cidade mais multicultural (se é que essa é a palavra) que conheci em toda minha vida! Apesar de ter suas raízes é quase impossível diagnosticar que tipo de cidade é aquela, arriscaria a dizer que é simplesmente uma cidade de contrastes. Uma cidade rica em história, com um povo atualmente sofrido.

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Istambul já foi Bizâncio…já foi Constantinopla… e só depois passou a chamar Istambul… Ou seja, não dá pra contar a história de Istambul num post. Umas das coisas mais impressionantes que cruzei por lá foram os símbolos de diferentes religiões convivendo harmonicamente num mesmo lugar.

Istambul é predominantemente islâmica, mas por ser uma capital e por ter um pé na Europa também… outras religiões vivem por ali e você vê isso claramente, principalmente no lado europeu.

A cidade é o que você quiser, ele pode ser de peregrinação, pode ser de balada, pode ser moderna, pode ser histórica, pode ser de compras, pode ser referência culinária… Você vai encontrar uma identidade que te agrade em Istambul.

Por lá você verá uma arquitetura que não encontrará em nenhum outro lugar do mundo. Justamente essa mistura de história é que vai te garantir isso.

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Os turcos do bem são as melhores pessoas do mundo e os melhores anfitriões… procuram te agradar o tempo inteiro e se sentem na obrigação de recebê-lo bem. Isso foi assim com a minha amiga que é de lá e também nos restaurante e lojas em que fomos bem atendidos.

A comida turca é inigualável e inesquecível. Se você gosta de temperos – assim como eu – aqui é o seu lugar. A comida tem um gosto único de especiarias que não se sabe identificar. E pelo amor de Deus, de onde eles tiraram o tamanho das porções individuais deles? É tudo enorme… 90% das refeições que fiz por lá foram exageradas! Pode pedir e rachar com o colega ao lado.

Por que não ir à Istambul

Bom, voltando ao povo sofrido… digo isso porque tenho uma amiga/irmã de lá e ela me conta que eles enfrentam problemas políticos como os nossos, histórico de corrupção e economia enfraquecida… Além disso, não é fácil uma cidade sobreviver com vários extremos religiosos. A cidade tem um custo de vida alto e um salário mínimo baixo, mais ou menos nos mesmos moldes que vivemos aqui.

Bom, nossa chegada foi confusa, cheguei pelo aeroporto de Sabiha Gökçen, longe da cidade, com muita dificuldade consegui pegar o ônibus executivo da Havatas, que fica fora do aeroporto (na frente da saída) em direção à praça Taksim. Da praça Taksim pegaria um táxi até o hotel que ficaríamos.

istanbul-Havatas

No caminho fui ficando muito insegura, a cidade impressionaé impactanteé assustadoramente enorme. A impressão que eu tinha é que a cidade ia me engolir. Nem nas minhas melhores pesquisas imaginei tudo aquilo. Vocês sabem, eu estudo o destino antes de ir. Normalmente chego segura nas cidades e gosto dessa calma. Bom, eu não estava calma, aliás nada calma. Estava decepcionada com a antipatia das pessoas e muito triste por ver isso na cidade de uma pessoa que eu amo tanto. Era pra ser tudo bem diferente.

Cheguei na praça Taksim e a cidade definitivamente me engoliu. Todo mundo desceu do ônibus e parecíamos minhoca pra peixe, mil supostos taxistas se oferecendo para nos levar para o hotel. Gritavam “taxí!” “taxí!”. Eles não me deixavam pensar e nem andar.

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Achei a foto na internet, ok? Quando eu fui já era noite e tudo ficou ainda mais confuso!

Bom, no auge da minha sabedoria viajante sabia que precisava procurar por táxis oficiais, decidi procurar um hotel ali por perto, pois ele com certeza teria um táxi confiável na frente. Já estava sabendo que os taxistas dão de malandro por lá.

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Esse foi o hotel que encontramos na praça.

Achei um táxi, antes de entrar perguntei ao motorista quanto ia dar… ele falou que dependia do trânsito… eu falei, então com o taxímetro ligado… ele disse: sim, claro… e tem outro jeito? Respirei semi-aliviada e fui. A verdade é que ao sair de Amsterdam pra Istambul pesquisei e já sabia que o táxi daria mais ou menos umas 16 a 18 liras turcas.

Havíamos trocado pouco dinheiro com um câmbio péssimo no aeroporto. Apenas o suficiente para transporte naquela noite. Eis que o taxímetro me sobe pra tipo… 45 liras turcas. Segundo o Google Maps, depois de umas 30000 pontes, já estávamos chegando… Gente eu tava preocupada pois não teria dinheiro pra pagar o moço se o negócio subisse mais um pouco e pra mim aquele taxímetro estava clara e altamente adulterado, mas meu medo e as ladeiras do centro histórico não me permitiram gritar: PARE JÁ ESSE CARRO SEU $%$#@%&*&¨%$#!

Eis que cheguei no meu hotel, p. da vida, o motorista do táxi abre o porta-mala, meu namorado paga parte do valor, desce para pegar as malas, e eu fiquei contando umas moedas para completar o pagamento que faltava. O cara me vira e disse que meu namorado havia dado apenas 5 e não 50 liras turcas. Eu assustei, procurei o dinheiro… Enfim… depois de muita briga com o taxista e ele ficar com medo do tamanho do moço que felizmente é o meu namorado ele falou: “você me entendeu mal moça… blá blá blá”. Ele tava tentando passar a gente pra trás. Não bastava ter o taxímetro adulterado, ele ainda queria mais!

Entrei quase chorando de raiva no hotel. Estava decepcionada… Me sentindo tipo na Cidade del Este, no Paraguai. Imagina o Rio de Janeiro com gringo… só que pior gente! Eles são mal humorados e malandros e caóticos.

Contei a história pra minha amiga e ela confirmou que as pessoas são assim mesmo, principalmente no centro histórico. Ela já me alertava que o local seria “perigoso” e eu, boa moradora do Brasil, ignorei.

Inclusive, deixa eu contar que durante toda a viagem, não conseguíamos pegar táxi no centro histórico com essa amiga (turca). Eles não carregam turcos… justamente porque os turcos não se deixam enganar. Eles simplesmente ignoravam a minha amiga, toda vez que ela pedia por um táxi. Nem ao menos a respondiam. Era revoltante.

Sem contar os taxistas e a antipatia do primeiro dia, tudo correu muitíssimo bem depois.

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Gente, o texto do “por que não ir” ficou maior… mas é porque daqui pra frente vou encher vocês de posts estimuladores.

Basta saberem que o centro histórico é meio caótico, não confiem em estranhos, principalmente se eles forem taxistas. Recomendo que planejem um transfer para buscar vocês ou algo assim. Pode até sair mais caro, mas esse é um gasto que recomendo altamente. Viagem é paz! Fazer o que eu fiz foi tipo atravessar a ponte da amizade à pé, à noite, cansada, com mala, falando outra língua, com o canto de chamada para as orações que saem das mesquitas de trilha sonora.